quinta-feira, 7 de maio de 2009

Bolo de Fubá...















Sou celíaca...portanto alérgica ao glúten!

Ainda ando às voltas com esta situação...é que adoro pão...o pão alentejano!

Adoro chamuças! Não resisto!

Em 2007, mais concretamente em Outubro(ainda tive 10 meses felizes) após n exames...sou celíaca!!!!

E AGORA!!!! Só se coser a boca com agulha e linha!

Sim sim...as minhas torradas fabulosas, a açorda, as sopas da panela!

Continuaria aqui a listar as minhas iguarias que nem o Pantagruel chegaria...

JÁ NÃO POSSO IR A UMA PASTELARIA!!!!!!!!!COMO O QUÊ?????? (COMO DE COMER...eh, eh)

Fase seguinte:

Para trás é passado e quem vive do passado é Museu!!! (onde é que eu ouvi isto!?)

Como não quero ser MUSEU...e coser a boca não me parece ser a escolha acertada, toca a fazer experiências e a pesquisar muito, no sentido de poder cumprir o que para mim é proíbido - COMER GLÚTEN!

Começaram por me oferecer uma máquina de fazer pão :(

Uma verdadeira derrapagem...mistura de farinhas sem glúten...do Celeiro...insucesso garantido...é como comer esferovite!!!
De outras vezes nem um tubarão conseguiria enterrar os dentes no pedregulho que tirei da máquina, vulgo , pão!!! Parecia que estava a fazer tijolos para uma casinha à beira mar (um dos meus sonhos). Vai-se ver e até dá...

Desisti de fazer o meu pão. (Ponto!)

Como desistir é próprio dos fracos...e nessa não estou...faço belíssimos pães com farinha normal para a malta cá de casa que não têm culpa de ter uma mãe "esquisita". Mas nem os provo! :( Só os cheiro!

Ainda hei-de descobrir como fazer pão alentejano sem glúten...(parece-me que é como fazer omoletes sem ovos!será?).

Agora bolos...já começo a dar cartas...depois de alguns desastres...deixo aqui uma receita provada e comprovada...e a opinião é *****.

Ingredientes:

5 ovos inteiros
1 copo de leite de coco
1 pacote de natas 200 ml (os mais peq)
3 colheres de sopa bem cheias, de manteiga (mesmo manteiga)
2 1\2 chav. de açúcar amarelo
2 chav. de chá de farinha de milho (fubá de milho)
1 chav. de chá de farinha de arroz
1 colher de chá de pó royal

Preparação: Muiiiiiiito simples

Bater tudo no copo liquidificador.

Vai ao forno pré-aquecido a 180º, em forma untada e polvilhada, durante 40 minutos.

Eu faço num tabuleiro...daí a foto.

Podemos substituir:

As natas por 1 yogurte natural...já testei e fica muito bom tb.

A manteiga por meia cháv. de chá de azeite...o bolo fica mais compacto, mas igualmente bom.

O coco por um copo de sumo de laranja...muito bom tb.

Para terminar...vai uma caminhada no paredão p'ra mandar abaixo essas calorias!

domingo, 3 de maio de 2009

Pastor Suiço...no Piódão!















Foi um passeio ao Piódão...recomendo, a aldeia é linda!

A aldeia do Piódão é uma das dez Aldeias Históricas de Portugal.

Pela serra acima, por uma estrada estreita e sinuosa, eis que no meio do nada...a seguir a uma curva, vislumbramos um presépio. Isso mesmo, um presépio!

A aldeia de xisto (com uma ou outra excepção), aparece-nos assim bela, encaixada no verde das Oliveiras, Pinheiros, Carvalhos e Castanheiros, em escadaria num vale da Serra do Açor. (Conseguimos fotografar um Açor - Ave de rapina que deu o nome à Serra).

Por estes caminhos, a Serra é um pouco agreste, de vegetação rasteira, com um pinhal aqui e acolá...que sobreviveu ao "ataque" dos pirómanos.

É Primavera e a Serra parece uma paleta de cores, onde predomina o amarelo das Giestas e das Carquejas com salpicos aqui e acolá de lilás das Urzes. O degradê dos verdes...dos líquenes a cobrir as rochas...é só passar para a tela e dar asas à imaginação!

Por lá andámos em muito boa companhia e numa "quelha" (ruela), aparece-nos este belo cão branco que mais parecia um Pastor Suiço. Muito brincalhão, meigo e doce...apatecia-me metê-lo no carro e trazê-lo connosco! Vivia lá...segundo o dono...um rapaz da aldeia...dormia num curral e durante o dia andava à solta...fora-lhe oferecido por alguém duma aldeia próxima em que uma cadela Samoiedo teve uma ninhada de rafeirinhos...a avaliar por este devem ter nascido lindos...Pastores Suiços! :)



"Haverá sempre, em algum lugar,um cão abandonado que me impedirá de ser feliz..."

Jean Anouilh

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Apneia...suspender a respiração!!!


















As imagens,como se vê, fora de água...mas a respiração é como se estivessemos dentro dela...

Passo a explicar...

Estamos no Campo das Cebolas, certo! Por aqui passei durante uns meses...ossos do ofício, não gostei. Ponto!

Lisboa é linda, mesmo muito linda, o problema é a falta de higiene, ou melhor, a falta de recursos e neste caso, uma zona tão bonita, com uma praça de taxis enorme, e sem wc!!!! Fantástico!!!

Vai daí que quando a necessidade fisiológica aperta...aí vão eles às moitas que é como dizer...às colunas que ladeiam este belo local...e vai disto, toca a aliviar...ficam autênticos charcos de urina a céu aberto!!!

Já podem imaginar o pivete!!! Para quem passa por ali, tem que dar corda aos sapatos e passar a correr sustendo a respiração! Caso contrário, ainda vai às moitas, ao gregório, que isto não é nada fácil!!!!

Não fora a circunstância de fazer um interregno neste percurso, já tinha pensado comprar a máscara de mergulho em apneia e usá-la neste caso, pois pelos vistos esse equipamento tanto serve para dentro, como fora de água!

That's life!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Amizade...














"A amizade é , acima de tudo, certeza – é isso que a distingue do amor".

Marguerite Yourcenar

Por vezes, cruzamo-nos na nossa vida com pessoas que até parece que já nos conhecíamos há muito tempo. Afinidades!

Considero esta uma das mais bonitas definições de AMIZADE.

Com um beijinhos aos meus AMIGOS na foto.

Azul...







Dua portas.

Uma em Oeiras e a outra no Piódão, ambas azuis...tão só a cor predominante no MUNDO!

Ambas belas...borrifadas pela Primavera!

É isto que me seduz...o simples e belo!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Desabafos...




Alturas há...nas nossas vidas em que não nos sentimos nada bem.

Eu estou nessa...faço um balanço da minha vida e parece-me que a vivi num falhanço total e absoluto! "Perdi" anos de vida sem ser aproveitada do melhor que sei e faço. Penso, porém, que não foi por falta de capacidade e de luta pelos meus objectivos, mas sim por falta de "apoio", de não ter tido oportunidade de mostrar o que valho, daquilo que sou capaz.

Anos vividos em prol de quem me rodeia, sem parar para pensar...tenho um enorme espírito de militância por quem tenho debaixo das minhas "asas". Assumi sem que mo pedissem, os comandos duma família de mulheres..."firme e hirta"!

Por ela tenho feito tudo...AMO A MINHA GENTE!

Atenta a tudo o que me rodeia...a minha máxima é...se cada um de nós fizer um bocadinho...teremos um mundo melhor:Reciclando...preservando...plantando...adoptando (cats and dogs)...

Nestes tempos incertos de CRISE...sinto-me à deriva, no meio duma tempestade medonha!

E agora José..."José Cardoso Pires"!?

Com os meus neurónios em órbita...num completo flipanço...ocorre-me dar corda aos sapatos e mudar de vida.

É isso mesmo...MUDAR DE VIDA!

Com a carripana da foto...rumo a outras paragens e com tudo lá dentro...a minha gente e os meus bichos...VAMOS COMEÇAR DE NOVO!


Let's go and forget

quarta-feira, 11 de março de 2009

"PENSEI QUE O MEU PAI ERA DEUS"...








Pensei que o meu pai era Deus

(...) Normalmente era a minha mãe que aparecia, mas, neste caso, foi o meu pai. Ninguém gostava muito de Mr. Bernhauser, mas o meu pai dedicava-lhe um ódio muito especial porque ele ficava com todos os brinquedos e bolas que fossem parar ao seu quintal. De maneira que, um dia Mr. Bernhauser desatou a gritar connosco para nunca mais tocarmos na sua querida ameixeira e vai o meu pai pergunta-lhe qual era o problema. Mr. Bernhauser respirou fundo e lançou-se numa diatribe sobre miúdos ladrões, delinquentes, ladrões de fruta e monstros em geral. Imagino que o meu pai já estava farto e mais que farto do vizinho, pois gritou-lhe que fosse morrer longe – de preferência longe, acrescentou, mas também podia ser ali. Mr. Bernhauser parou de gritar, olhou para o meu pai, ficou vermelho que nem um pimento, depois roxo, agarrou-se ao peito, de roxo passou a cinzento e, lentamente, afundou-se no chão do quintal. Pensei que o meu pai era Deus.

Robert Winnie


Um dia em Highley

Um dia, quando eu era um jovem contabilista, visitei um cliente que tinha uma quinta, nas proximidades de Highley, no Arizona. Estávamos nós à conversa quando ouvimos uma coisa a arranhar na porta da rede de arame. Diz-me o meu cliente: “Preste atenção”. Foi abrir a porta e, surpresa das surpresas, a “coisa” era um lince americano bastante corpulento. O meu cliente encontrara o lince, ainda bebé, num campo de luzerna e, desde então, o animal fazia parte da família. Mal abriu a porta, o lince correu para a casa de banho, saltou para a sanita e, agachado sobre os rebordos da mesma, fez o seu serviço. Quando terminou, saltou para o chão, ergueu-se sobre as pernas traseiras, estendeu uma das patas da frente e puxou o autoclismo.

Carl Brooksby
Mesa, Arizona

Paragens cardíacas

O homem chegou às urgências em paragem cardíaca total. Os paramédicos tentaram a reanimação cardiopulmonar. Tinham-lhe administrado duas doses de drogas – epinefrina, atropina, bicarbonato de sódio. Entubado as vias aéreas superiores durante o transporte. À chegada, verificou-se que estava em fibrilhação ventricular. Mais epinefrina e choques eléctricos. Nenhuma reacção. O homem foi declarado morto: um homem de setenta e um anos que vivia sozinho num parque de caravanas local e que, presumivelmente, fora vítima de um ataque cardíaco fulminante.
Ela chegou às urgências em paragem cardíaca total. Os paramédicos tentaram a reanimação cardiopulmonar. Tinham-lhe administrado duas doses de drogas – epinefrina, atropina, bicarbonato de sódio. Entubado as vias aéreas superiores durante o transporte. À chegada, verificou-se que estava em fibrilhação ventricular. Mais epinefrina e choques eléctricos. Nenhuma reacção. A mulher foi declarada morta: uma mulher de quarenta e dois anos que se deslocara à cidade para o enterro do pai. Ficara na caravana dele, num parque de caravanas local. Sem sabor, nem cheiro – o monóxido de carbono envenenara-a também a ela.


Sherwin Waldman, M.D.
Highland Park, Illinois


«Pensei que o meu pai era Deus», antologia organizada por Paul Auster


Paul Auster organizou neste livro uma extraordinária colecção de estórias recolhidas num programa do National Public Radio. Surgiu, assim, o “National Story Project”, de que este livro é a compilação de muitas das contribuições dos ouvintes dessa rádio.O que torna este livro fascinante é o facto de tanta ordinary people partilhar cenas e estórias fantásticas de uma existência em que, aparentemente, nada teriam de interessante.

Confesso que este livro me acompanhou durante algum tempo, nas minhas viagens de combóio. Aconteceu por vezes, dar comigo a pensar em mudar de vida, tal como na estória que acabara de ler, em que o narrador mandou tudo às urtigas e virou a vida do avesso!

Transcrevi aqui apenas três estórias de entre muitas que aconselho ler...