
Tive um macaquinho igualzinho a este.
Se fosse hoje não o teria...a minha consciência ecológica cada vez mais apurada e cada vez mais crítica, o meu profundo respeito pela natureza levar-me-ia a devolvê-lo ao seu habitat natural.
Não foi assim e isto passou-se na minha adolescência, em África. Teria eu os meus 15 anos...o meu pai apareceu em casa com o Chiquinho.
O meu pai adorava animais...e este, encontrou-o numa picada, no meio do mato, ao lado da mãe morta. Seria bébé, indefeso...deixou-se apanhar, aninhando-se no colo.
Tratado como um elemento da família, cresceu cheio de mimo...imitava tudo e todos...dormia na minha cama e deitava-se com a cabeça na almofada. Com as mãozinhas aconchegava os lençóis ao pescoço tal como eu fazia...era o máximo, um doce encanto...o problema era demanhã, ao toque do despertador...sentava-se ao meu lado e com os seus dedinhos abria-me as pálpebras com as unhitas...qual x-ato!!!!
Adorava-o.
Bebia água com um copo e adorava batas fritas...o seu petisco favorito...
Era o mano da minha mana, 11 anos mais nova, ela vestia-o, pentava-o...eu sei lá...brincavam de igual para igual. Grandes amigos! Até o castigo da minha mãe era igual para os dois...chinelo na mão, ameaçava-os...o Chiquinho arrancava-lhe o chinelo da mão e a seguir era ele que ia atrás dela a ameaçá-la... só visto!
E ele sempre a crescer...naturalmente...
Já era um jovem, começou a saltar pelas varandas dos vizinhos e roubava fruta...entrava nas salas e toca a "assaltar" as fruteiras que se encontaravm nas mesas, qual decoração da época.
Bom, o certo é que começaram a chover as queixas dos lesados, que quando o enxotavam...eram ameaçados com caretas e dentição à mostra...do tipo...vou-te morder!
Tentámos de tudo...mas ele escapava-se sempre! Lá ia ele p'rá malandrice do costume...gamanço!
A dada altura não houve outra saída...devolvê-lo à mãe natureza!
Na época, o meu pai tinha um acampamento lindo, no meio do mato...todo em paliçada, com cabanas, cozinha e casas de banho. Era a obra de construção e terraplanagem da estrada da Ponta do Ouro. Era o seu ofício.
Claro está que o Chiquinho foi para lá...aí ele sentia-se como peixinho na água...ia e vinha da selva, conforme lhe apetecia...até que um dia nunca mais voltou.
Quero acreditar que ficou bem, que arranjou por lá uma família e continuou a sua espécie...
Tive um desgosto tamanho que já nem me recordo quanto tempo chorei...concluí na altura que nunca mais queria ter bichos em toda a minha vida.
É obvio que tal fundamentalismo não é a minha forma de vida! Tenho 4 cães e 2 gatos! Sofro imenso quando algum termina por cá o seu percurso...that's life!